CONCESE alerta: proposta do governo pode elevar o custo da energia ao consumidor

O Ministério de Minas e Energia do Brasil colocou em debate, por meio da Consulta Pública CP-218/2026, uma mudança estrutural no funcionamento do Mercado de Curto Prazo (MCP), com impactos diretos na formação do preço da energia no Brasil.

A proposta prevê a adoção de um modelo com contabilização dupla, no qual passam a coexistir dois preços para a mesma energia: um definido antes da operação do sistema e outro após sua execução. Na prática, trata-se de uma mudança profunda na lógica de precificação, com potencial de alterar sinais econômicos e redistribuir custos entre agentes.

Especialistas apontam que, embora o objetivo seja tornar o mercado mais eficiente e aderente à realidade operacional, o modelo pode gerar distorções relevantes caso não haja alinhamento entre os preços formados e as condições efetivas do sistema elétrico.

Outro ponto sensível é o chamado curtailment — situação em que a geração de energia é limitada ou interrompida por restrições do sistema. A forma como esses custos são distribuídos é central no debate.

O CONCESE (Conselho de Consumidores) se posicionou de forma clara na consulta, defendendo que qualquer alteração regulatória deve ter como premissa básica a proteção do consumidor.

“Não faz sentido modernizar o modelo se o resultado final for o aumento da conta de luz. A mudança precisa, obrigatoriamente, gerar modicidade tarifária. Além disso, custos como o curtailment devem ser alocados a quem efetivamente deu causa ao problema — e não repassados ao consumidor cativo.”, afirmou Celso Hiroshi Hayasio, presidente do CONCESE.

A discussão expõe um dilema clássico do setor elétrico: como equilibrar eficiência de mercado com justiça tarifária. Em um sistema complexo e altamente regulado como o brasileiro, decisões aparentemente técnicas têm efeitos concretos no bolso da população.

A CP-218/2026, portanto, não é apenas uma discussão sobre modelos matemáticos ou operacionais — é, sobretudo, um debate sobre quem paga a conta da energia no país.